Você é de todas as mulheres
E eu não sou de todos os homens
Você é da noite e das estrelas
Eu sou apenas o brilho ofuscado do luar
Você é o gesto e a poesia de liberdade
Enquanto eu sou a pessoa em mim trancada
Você é a inocência da amizade variada
Eu sou a voz que grita a tua verdade
Você é a condução de asa sutil para o inferno
E eu sou o céu que cansou de esperar seu arrependimento
Você é o doce que envolve e destrói
Eu sou o amargo da vida que constrói
Mas você não tem olhos que enxerguem a diferença
Queres viver outras mutáveis experiências
Acreditando que em meu colo te colocarei novamente
Inevitável o teu engano, descortinado foi o pano
E a tua solidão será o refrigério do meu abandono!
Autoria: Patrícia Pinna
Imagens: Internet
Uma amizade surgiu, fundiu e solidificou-se
Quando percebemos, uma pedra pesada e fria
Apareceu para quebrar o laço com animosidade
E petrificados ficamos portadores de corações
Em nada gentis, sabedores de suas orgulhosas predileções
Mas no meio do caminho conseguimos empurrar
Com toda a vontade e humildade a traiçoeira adversidade
Que com garras quase imperceptíveis formava um ninho
Uma teia que prendía-nos na mudez de nossos lábios
Ainda bem que por ela não fomos mais ludibriados
Ainda bem que o erro foi reconhecido, o engano resolvido
Pela doce palavra de diálogo, a luz nascente e protetora
Das relações em todas as dimensões e sua sinceridade
Nossa amizade alimenta-se pelo respeito e nasce a cada dia
Somos diferentes, mas isso de nada importa, existe amor
E quando este é o centro de tudo, as muralhas caem
Tornando a linguagem complicada de fácil entendimento!
Autoria: Patrícia Pinna
Imagens: Internet.
A escuridão tomaria conta de tudo
Se não fosse a luz da linda lua
Que reluzente abriu caminho decente
Onde meus pés pudessem flutuar
Inspirados pelo bom aroma do ar
Esse aroma era o amor
Vestindo a minha pele com cor
Fazendo-me credulamente sorrir
Ao ver, finalmente,que não irias partir
Oh, doce beleza trazendo saúde
Emoção percorrendo o cerne da alma
Justificando a razão para viver
E tão somente querer crescer
Te amo, amor personificado
Te amo, amor em mim
Te amo, amor valorizado
Te amo, bendito amado!
Autoria: Patrícia Pinna
Imagens: Internet.
A tua face é desenhada
Por mais de um semblante
Constituindo formas desconexas
Cultivadas na tua vida real
Representando um específico instante
Ágeis são as tuas modificações
Não importando-se em sofrer comparações
Alienações em vários graus, resignações
Sendo ontem venerado, hoje massacrado
Com a mesma volúpia do acasalamento dos camaleões
Situações aflitivas gerando depressão
Que não sabes, no entanto, de onde vem
Tampouco ousas culpar alguém
Nesta existência de constante contradição
Não conhece teu caminho
O que esperar no indecifrável destino
Tornando-se refém num doente ninho
Em teus múltiplos personagens
Que não consegues abandonar
Assim, passa teus rasos dias
Sempre a representar!
Autoria: Patrícia Pinna
Imagens: Internet.
Vejo a poesia em qualquer lugar, nas letras de músicas
Num beijo apaixonado, no choro da criança que nasce
No ciclo da vida, início e fim
Em lágrimas do fim de um amor
Vejo a poesia na dor da reconstrução
Nos pés andarilhos procurando aventura
Na esperança disfarçada de fé
No aroma suave do jasmim
Reportando demasiadamente a outrora
Vejo a poesia no sorriso ingênuo da criança
Pensando nos seus sonhos gigantescos
Ainda em corpo a desabrochar
Firo a poesia quando vejo a maldade humana
Passeando e fazendo morada nas esquinas
Firo a poesia quando vejo lares destruídos
Pelo viciante líquido legalizado
Pelo fumo que destrói o corpo e a alma
Pelas vidas ceifadas sem nenhum arrependimento
Firo a poesia quando entendo ser isso normal
Abraçando a violência verbal e física
Poesia é a paz que procuramos em nós
No nosso interior sofrido, na contramão
Que surge nas simples palavras sinceras
Endossando o nosso desejo de felicidade
Escritos na amplitude dos versos
Cantando o mundo em notas suaves
Emudecendo entregue, uma alma crédula!
Autoria: Patrícia Pinna
Imagens: Internet
Escura como a noite em dias de tempestade
Das nuvens densas no céu de solidão
Repousa absoluta alma minha, roncando feito trovão
Absorta, letárgica, clamando alento para a minha fraqueza
Inundada pelas chuvas salinas, gélidas em perdição
Ouço trovoadas ensurdecedoras levando-me ao medo
Vejo relâmpagos tremendo em fúria descompassada
Por eu estar prostada em meu túmulo de dor
Não compreendo a ação da Natureza
Permitindo tanta beleza virar destruição
Desfazendo a serenidade dos pingos da chuva
Deixando uma catástrofe acontecer
Destituiu-se vida plena, criou-se rasgo de amargura
Foi-se embora a candura e a vontade de crer
Que em tudo na vida há motivo para viver!
Autoria: Patrícia Pinna
Imagem: Internet.
Abrigo seguro encontrou
No mar de rosas vermelhas
Companheiras em sua solidão
Precioso colo na aflição
Não pudera prever
Os escombros e desilusões
Não tivera pistas a seguir
A tristeza instalara-se de supetão
A dor paralisava
A engrenagem corpórea
A serenidade almática
Trancando a porta para o amor
Chorando todo dissabor
Cruel grito vindo do ventre
Dorido, percorrendo até a mente
Sabedora do fim consciente
Num longínquo instante.
Autoria: Patrícia Pinna
Imagens: Internet.
Sou o encanto da maciez da pétala
O aroma agradável em suas narinas
Os seus sentidos embriagados
A sua voz rouca em dias de paz
Sou a maré baixa e o Sol escondendo-se
A escuridão dos apaixonados
Refugiando-se no seu peito forte
Sou a luz da sua alma
A melodia singular
Escoando na virgem floresta
A cumplicidade dos segundos
Que sem pressa, deitam-se ao Luar.
Autoria: Patrícia Pinna
Imagem: Internet.
Calei-me face às suas ríspidas palavras
Emudeci o verbo por mim querendo falar
Encontrei a árvore do Domínio Próprio
Provei aos poucos do seu delicioso fruto
Rendi graças por meu silêncio
Ficando em sua protetora sombra
Há muito eu tentava te encontrar
Não sabendo sua forma, cor ou origem
Nem como era acariciante sua flor
Conseguindo a paz o meu eu saudar
Percorri ásperos caminhos para nela chegar
Andei, gritei e chorei por estradas tortuosas
Provei do seu fel com gosto de mel, cansei-me
No afã de não vestir-me de loucura
Contudo, ela não sacia-me de vez
Seus frutos podem lamentavelmente acabar
E eu preciso alimentar-me novamente
A sua raiz diariamente eu tenho de molhar
Evitando o seu sepultamento
Significando o meu próprio
Quero ingerir os frutos da mansidão
Nem que seja na singularidade
Da minha rara refeição!
Autoria: Patrícia Pinna
Imagens: Internet
Amor, encanto meu, coração
Lábios quentes a beijar-me a boca
Deslizando sob o meu corpo de tão louca
Salivando como a um vulcão
Enfraquecidas ficam minhas pernas
Vivenciando travessuras bem ternas
Deliciando-se sentindo prazer
Uma troca generosa fazendo endoidecer
Misturam-se silêncios e uivos
No toque em ebulição da nossa pele
Arritmia cardíaca ao olhar
A nudez brilhante do luar
Refletida nos corpos dos amantes
Que em afagos delirantes
Comungam desejos viciantes!
Autoria: Patrícia Pinna
Imagens: Internet.